Sorri e o Mundo Sorri Contigo por Luísa Sargento

17 março 2009

Crianças

Estes últimos dias tenho me indignado com algumas situações que se passaram pelo mundo e que dizem respeito às crianças. Essas indignações confirmam algo que digo sistematicamente e que para alguns faz sentido, para outros não! Ser mãe de um menino de 5 anos, leva a que seja constantemente criticada por aqueles que teimam em opiniar a vida alheia, em vez de se preocuparem com a sua própria vida!

As criticas que costumo receber são: mima-lo muito; já tem 5 anos e ainda é um bebezão; já devia fazer isto ou aquilo porque a tua prima com 3 anos já lava a loiça e faz a cama; é o édipo; etc! E a há sempre alguém que diz és um, desculpem a expressão, cu de mimo; larga a saia da tua mãe; já tens idade para isto ou aquilo; etc.

A minha resposta geralmente é: pois aos 5 anos querem que eles façam coisas que são para crianças de 10 anos e depois ficam muito admirados que aos 10 eles estejam a fazer coisas que são para adolescentes de 17 anos!

Não percebo esta necessidade extrema de que os miúdos cresçam antes do tempo! E que todos fiquem muito orgulhosos quando os seus filhos aos 3 anos já sabem ler... E brincar?!?! E sonhar!?!? onde ficam? E crescer no seu processo normal? todos os animais o fazem e o tempo de vida para cada um é que é diferente...

Ora o homem só atinge a maturidade por volta dos 20 anos, tendo 120 anos de esperança de vida e a sociedade quer que as crianças sejam como os animais que têm uma esperança de vida de 10 anos... Isto é, trazem a medida de crescimento de outra espécie para a nossa, como se já não bastasse a alimentação...


Pois bem o que me desconcertou foi saber que crianças de 9 anos se drogam! Não me lembro de qual revista era a capa em que li isto, mas... bolas! Com 9 anos estas crianças deviam ser protegidas destas e de outras maleitas da sociedade! Onde andam estes pais, onde está a escola destas crianças (já me esquecia que a escola está sempre a desresponsabilizar-se... igualando os pais que se ocupam em ganhar dinheiro e não sabem muito bem porque mandaram vir um filho...)




Mas ainda há mais: onde anda o meu querido João Paulo II?!? Como costumo dizer já não sou muito católica, só que a minha educação foi toda segundo a Igreja Católica (andei num colégio de freiras só de meninas onde aprendi muitos valores alguns bons - a maioria, outros menos bons ou com os quais não concordo); sou daquelas pessoas que diz não existem católicos não praticantes ou se pratica ou não se é católico; sou a favor da disciplina para se seguir os ensinamentos de Jesus Cristo (deturpado, de certo, pela instituição que se criou em torno dele) mas duvido que Jesus e que algum Deus excomungasse uma mãe que, para proteger a sua filha de 9 anos, chamasse um médico para lhe tirar os dois seres concebidos num acto de violação e que, ainda por cima, nada fizesse contra o violador! Não é dizer sim ao aborto, simplesmente há alturas em que nenhuma instituição deveria interferir! Diferente seria se esse acto fosse concebido com amor, por alguém capaz de suportar o parto e todas as responsabilidades desse acto, agora uma criança de 9 anos violada pelo padrasto ter gémeos...o que seria destas 3 crianças?!...

10 março 2009

Are we humans or are we dancers?

Praça Luís de Camões, após um pequeno-almoço ao som dos The Killers...


O que seremos? Apenas seres que caminham sem sentido, percorrendo estradas, desatentos ao que nos rodeia ou seres dotados de qualidades e oportunidades para dançarmos ao som da natureza que nos observa, das experiências por viver?

Algo mais sagrado, algo menos imediato e mais sentido, vivido de forma mais intensa, sem perder os pormenores, por vezes esquecidos... Vendo a pureza de tudo quanto existe, vagueando num sentido, crescendo alheio às futilidades da existência e preservando a realidade, sendo esta a experiência de cada dia, de cada momento que deve ser vivido sem estar condicionado a experiências anteriores ou que foram passadas por outros. Deixando que, embora possam ser avaliadas por alguns como ilusões, sejam a pura e verdadeira realidade para quem as vive sem deixar que os outros e as outras vivências influenciem a nossa intuição e a nossa realidade experimentada procurando pautar as nossas acções tendo em conta não a verdade da maioria, mas a situação isolada: cada minuto, cada segundo, cada dia passado é só um e apenas esse momento.

O presente sem passado, sem condicionamento! A mudança de paradigmas e hábitos perturbadores da evolução, para construir uma realidade futura imediata. A aproximação das realidades que nos tornarão unos com o Universo, com o Todo. A vivência de uma só realidade: que a ilusão e o ego não podem pautar as nossas acções mas sim a lucidez e o altruísmo. E que apenas podemos olhar para nós num egocentrismo altruísta, no sentido que nos observamos e estudamos com a intenção de mudar o que achamos de errado em nós, isolando-nos dos outros no foco das críticas, do ensejo de perfeição pois essa perfeição só devemos procurar em nós, por mais óbvio que pareça que algo de errado está ali ao lado porque, provavelmente, a consciência é diferente, nem que seja pelo simples facto de que é de outra pessoa, de outro ser que talvez esteja influenciado pelo seu passado, vivendo muito pouco o seu presente...

Pausa, olho a luz da manhã, sorriu para o sol...


Percebo que a humanidade não vive, apenas sobrevive...

Caminha sem saber muito bem para onde e procura assemelhar-se àquilo que nada é, afastando-se, cada vez mais, do que realmente deveria ser...

Destrói o planeta, a terra que a acolhe, a natureza que lhe possibilitou estar aqui e agora apto para viver sensações e experiências em troca de coisas fabricadas, de emoções inventadas segundo as de outros, afastado-se cada vez mais dos seus semelhantes, criando relações estreitas com as "coisas", desumanizando-se, descaracterizando-se, perdendo-se nas relações com o nada!

E, por isso, trazem no seu semblante o peso carregado da frustração...

09 março 2009

De Albert Einstein

" Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio e a verdade me é revelada."

Intuição linear equivocamente denominada de meditação...