Desabafo de uma Vegetariana
Como partilhei no dia 1 de Fevereiro, este ano e daqui a uma semana (dia 18) passarei a ser vegetariana há mais tempo do que não vegetariana e devo dizer-vos que se acham difícil adotar este estilo de alimentação agora em 2025, imaginem em 2001.
Como iniciei o meu percurso como ovo-lacto-vegetariana, havia sempre as opções com ovos e queijo e nada como uma bela pizza, uma pasta al dente, ou uma saborosa comida indiana. Nos restaurantes típicos portugueses era a omelete de queijo ou o bitoque sem carne ou a saladinha: a menina como salada, não é? Com delícias do mar, certo? (ahahahah ainda há quem pergunte isto…?) e posso pôr um fiambre desfiado? (mais uma ahahahah)
Tinha sempre de perguntar se a sopa levava caldo de carne, de peixe ou marisco. Algo que ainda faço nos dias de hoje e há, ainda, quem não saiba que o clássico Knorr é de carne… (o clássico) Depois também havia banha, na qual ainda se fritavam os ovos estrelados.
Mais toda a confusão com a macrobiótica e o peixe que não é carne, e lá comecei a dizer não comia animais mortos. Daí surgiu a piada: só como animais vivos ahahah e há quem ingenuamente e/ou ignorantemente diga: ah, comes Sushi!
Nessa altura, ainda comia bolos em qualquer lado, assim como sobremesas, apesar de ter de perguntar: tem gelatina na composição? E recebi diversas vezes a resposta: qual é o mal se tiver?! E tinha de explicar que a gelatina vem da cartilagem de porco, boi e também é possível fazê-la a partir da pele de peixes que estão mortos, mortinhos da Silva!
Havia muito poucos restaurantes vegetarianos. E só mesmo com muita convicção e muito humor é que se ultrapassava estes desafios na vida de uma pessoa que escolheu ser vegetariana para ser coerente com a sua leitura da filosofia de vida que escolheu para si: o Yoga.
E é, graças a este grupo de pessoas que não abandonou a sua decisão contra tudo o que a cultura onde nasceu defende, que hoje conseguimos encontrar uma série de restaurantes vegetarianos e vegan e muitas opções nos restaurantes que ainda têm base omnívora. Ir ou não a este último tipo de restaurantes depende de outras questões éticas e morais e a cada indivíduo cabe a decisão de, de certo modo, continuar a compactuar com a indústria que se aproveita até à exaustão do sofrimento dos animais…
Agora a grande questão é ahahah o valor que é cobrado nos restaurantes e pastelarias vegetarianas e vegan. Sinceramente, às vezes, sinto que há um aproveitamento do facto do veganismo estar na moda e, como tudo o que está na moda, ‘bora lá gerar lucro!!! É que, em 2001 e antes de ser moda, os pratos para vegetarianos eram muito mais baratos do que os outros: era só o preço dos acompanhamentos.
Viver numa sociedade de consumo é assim…
E aqui fica um pequeno desabado
de alguém que, em breve, será vegetariana há mais tempo do que não vegetariana. E
já lá vão 24 anos de felicidade plena pela escolha que fiz quando caminhava
para os meus 25 anos.
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