Fevereiro é um mês especial (para mim)
Fevereiro é um mês especial e este ano ainda mais: a partir do dia 18 de Fevereiro serei vegetariana há mais tempo do que não vegetariana.
Em 2001, decidi adotar o regime alimentar vegetariano: o que significou deixar de comer carne, peixe, marisco e outros frutos do mar, bem como moluscos e afins; e tornei-me ovo-lacto-vegetariana, numa família e numa sociedade que desconhecia ou pouco nada sabia sobre este assunto. As pessoas vegetarianas em 2001 eram coisa rara e, grande parte, era macrobiótica (outro sistema alimentar como o qual o vegetarianismo comumente é confundido). A par desta decisão também deixei de beber, fumar (embora o fizesse mais socialmente do que como um vício) e de fumar coisas para rir que, na maior parte das vezes, me faziam mais mal do que rir… Há uns dez anos, tentei voltar a beber mas o meu corpo rejeita: não o sabor, mas a sensação de intoxicação, e, após umas três ou cinco tentativas, voltei a colocar esta ideia de parte: nem mesmo um bom medronho de Aljezur me convence! Fumar é que nunca mais: bastou-me uma inspiração profunda num cigarro, após três anos sem fumar, para perceber o mal que faz: sentir os pulmões a queimarem e os canais energéticos a entupirem-se… Nem sei como alguma vez fui capaz de usar os cigarros como uma forma de afirmação social. Mas voltando ao que, efetivamente, interessa num sábado neste blog: Alimentação.
Foi no dia 18 de Fevereiro de 2001, num concerto de Mantras, se não estou em erro, no Teatro Rivoli, que tomei uma das mais importantes decisões da minha vida: ser vegetariana! E juro foi fácil apesar da intransigência da família; dos olhares reprovadores de conhecidos e até amigos; das piadas infindáveis de pessoas que nunca tomaram uma decisão importante na sua vida e que não têm coragem de olhar para os seus hábitos, que repetem sem consciência/automaticamente, e perceber se fazem sentido; de viver com alguém que não era completamente vegetariano e que, ainda por cima, bebia, fumava, etc… Só que a vida, por vezes, necessita de viragem de vários graus para que possamos evoluir e crescer. E, neste caso, Crescer em Yoga.
Existem várias razões para alguém seguir uma alimentação vegetariana e eu só vos posso contar a minha história que pode ser igual a tantas outras pessoas como bem diferente.
Quando conheci o Yoga e comecei a frequentar as aulas na Universidade de Yoga, descobri que, para avançar de nível e passar das aulas de pré-Yoga para as aulas de Yoga, havia uma série de requisitos: ler um livro; fazer um teste; deixar de beber, fumar e, eventualmente, outras substâncias; e ser vegetariana/o. Estes últimos pontos relacionados com a questão de purificação dos corpos mais subtis. E fez-me sentido, já que tudo o resto que possa poluir os canais energéticos inclui emoções que pareceram-me muito mais difíceis de exterminar…
Refleti sobre o assunto, ponderei e, de um dia para o outro, decidi e iniciei a minha vida como ovo-lacto-vegetariana. E já lá vão 24 anos!!! Sim de um dia para o outro: foi uma decisão minha, por mim, consciente, e, como tal, não necessitei de processos de adaptação ou de uma transição gradual
Nestes 24 anos, já passeei entre
várias variações do vegetarianismo e à data sou vegetariana estrita, ou seja,
não como nada de origem animal, nem mesmo mel. E sou feliz e saudável assim!
Há pouco tempo percebi que ainda existem muitas dúvidas acerca do vegetarianismo e das suas variantes e, de forma sucinta, vou explicar o que cada uma delas representa:
Ovo-lacto-vegetariano (que normalmente é o que uma pessoa que se diz vegetariana segue) – consome ovos e lacticínios, mel e ficam de parte todos os animais do planeta (os comumente chamados de carne, o peixe, o marisco, moluscos, frutos do mar e todas as suas variações como fiambre, chouriço, presunto, alheiras e outros enchidos)
Ovo-vegetariano – igual ao anterior com a exceção dos lacticínios
Lacto-vegetariano – ao contrário do anterior, exclui os ovos mas consome lacticínios
Mel-Vegetariano-estrito – não consome nada de origem animal com exceção do mel (acho que inventei esta variação, pelo menos o nome)
Vegetariano-estrito – não consome nada de origem animal e a sua alimentação é à base de leguminosas; cereais, derivados e tubérculos; hortícolas (legumes e hortaliças); fruta; fontes de gordura. E pode acrescentar a isso fontes proteicas principais ou processadas (tofu, seitan, tempeh, soja texturizada e uns produtos que parecem aquilo que deixaram de comer…)
Frugivorismo – só consome frutas. Tal como vegetarianismo também existem diversas vertentes: em algumas, consome-se hortícolas; noutras, frutos secos; numas só se admite fruta crua e noutras pode ser cozinhada.
E, ainda, temos umas alternativas dentro destas variedades que passam pelo crudivorismo (não se cozinha nada ou só até uma temperatura que permita que os nutrientes não se percam).
Espero ter ajudado a compreenderem melhor as várias definições de vegetarianismo e a evitarem as inúmeras confusões e/ou gaffes que se cometem ao confundir um vegetariano com uma saladeira ahahah ou com um macrobiótico (cuja base alimentar são os cereais e consomem peixe, carne, ovos, leite mesmo que em pequena escala) ou com um piscitariano/pescetariano (que consome peixe a frutos do mar e apenas exclui a chamada carne e derivados desses animais) ou com um flexitariano (aquele se diz vegetariano não radical ahahahah e que esporadicamente come animais mortos, ou seja, um omnívoro com alguma consciência alimentar e/ou ambiental e/ou de sáude).
O mais importante, para mim, é que escolham o regime alimentar que vai ao encontro dos vossos valores e que vos faça bem à saúde física, emocional, mental e que tenha em consideração o Todo… A Mãe Natureza… O Planeta que nos acolhe… etc, etc…
Qual é a tua opção?
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