A Vespa Asiática

Hoje entrei na cozinha e ouvi um zumbido, olhei e era uma vespa asiática que tinha passado a noite toda em minha casa, mais precisamente na cozinha, e sem a minha autorização.

De forma educada e cautelosa, convidei-a a sair: abri a janela e fechei a porta da cozinha, na esperança de que ela percebesse que ali não era o seu lugar e que, para lá da janela que tinha sido aberta, estava todo um mundo onde ela poderia ser livre.

Fiquei do outro do lado da porta, a olhar os seus movimentos, presa do outro do lado da porta e condicionada pela falta de perspicácia ou de aceitação do meu convite por parte da vespa asiática para que ela saísse em liberdade.

E pensei como tantas vezes nos é apresentada a liberdade e nos são abertas portas para ser livre e, simplesmente, nos mantemos enclausuradas e enclausurados, circunscritas/os àquilo que já estamos habituadas/os. Refleti também como essa nossa resistência à mudança que nos leva à libertação de algo que nos aprisiona também pode aprisionar outras pessoas, atravancar o desenvolvimento de outro alguém, prejudicar o livre fluxo da energia.

Esperei... Mesmo assim ela ficou... Fui para outra divisão da casa para adiantar outras coisas e me despachar... Quando regressei à porta, achei que a vespa asiática já tinha seguido o seu rumo mas não, ela continuava ali sem perceber qual era o seu caminho... 

Preparei o pequeno-almoço sempre alerta, não fosse ela resolver picar-me: a mim que lhe ofereci a liberdade... Relaxei e disse: a vespa asiática há de perceber que não é para ficar, é para ir... Ir embora dali, do local que a acolheu a noite toda sem que ela pedisse autorização.

Parei e pensei: coitada, eu fechei a janela por onde ela tinha entrado, sem se quer dar conta que ela lá estava. E voltei a lembrar-me de como as ações geram, reações que geram outras reações e assim sucessivamente. O tal do Butterfly effect!

Olha é a vida! E a vida continua, umas vezes mais livre, outras vezes mais condicionada; umas vezes vivida de uma forma mais consciente, outras vezes mais automática; uma vezes com todos os receios e medos presentes, outras vezes com toda a força do mundo que derruba obstáculos.

E foi assim que hoje, antes de ir dar aula, uma vespa asiática me relembrou tantos aspetos importantes para desfrutar ainda mais desta experiência (que é a vida).

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